Se eu ainda...
Vocês conseguem imaginar como é difícil fazer papel de amiga da pessoa que eu gosto?
Ando sofrendo só de ouvir seus desabafos. Dar conselho é uma coisa surreal para mim.
Como agradar alguém que gostaria de ouvir exatamente o que eu não gostaria de dizer?
As vezes parece que a felicidade do outro é o preço da sua. Apesar de gostar do Pedro o suficiente para aceitar isso, eu tenho tanto medo do que vou sofrer (o que é muito certo de acontecer!), que gostaria de afastá-lo de mim, o quanto antes!
Por várias vezes tento provocar uma briga, que ele nao deixa acontecer e, ao contrário do eu planejava, fico mais encantada. Isso se agrava a cada minuto.
Ele é tão diferente dos outros e nem imagina o quanto isso é maravilhoso. Aponta sempre algum defeito em si mesmo e, enquanto tenta se depreciar num momento de auto-crítica, eu aproveito para rebater com um elogio, demonstrando minha admiração!
Como ele pode não perceber o quanto mexe comigo? Homens, por favor, me digam: é tão difícil perceber essas coisas? Tudo bem que eu sou mais uma garota confusa e tímida (apesar de não parecer), mas acho que não dá para esconder muito não. Os meus olhos me denunciam.
As minhas aulas ja começaram há 3 semanas e ainda nao aceitei. Eu fico perdida na faculdade, com a cabeça em outro lugar, escrevendo sobre isso tudo na minha agenda. Só sei que não paro de pensar nisso, queria estar com ele o tempo todo, mas gostaria que ele quisesse também, com a mesma intensidade. Não sei o que fazer. Dá vontade de chorar, sabiam?
E eu acho que por ele vale a pena.
Nossa... eu abandonei mesmo meu diário virtual!
Acontece que minha vida no mundo real anda bastante movimentada! Três supercoisas novas aconteceram no último mês: assumi um compromisso com a patinação, adotei uma vó e conheci o Pedro.
Resolvi, finalmente, alimentar o meu vício de patinar. É uma droga saudável, ninguém precisa se preocupar, só me faz bem. Além disso, só tem me proporcionado bons momentos. Novos amigos, novos desafios, boa forma física a caminho. Até na televisão a turminha do Patinight já apareceu!!!
Permitam-me voltar ao dia 3 de setembro, sexta-feira. Foi quando marquei um encontro com o Pedro, para patinar e também quando recebi o silencioso pedido de socorro da minha nova avó.
Cheguei do trabalho ansiosa para o encontro, mas tive um imprevisto: minha vizinha, que tem quase 80 anos e vive só, sofrera uma queda durante o dia e me deixou preocupada. Nada muito grave, mas não deixava de ser importante. Comprometi-me em voltar no dia seguinte, para ver como estavam as coisas e fui patinar.
Na manhã seguinte, como havia prometido, fui à casa dela. Acabamos passando a manhã inteira no Hospital Miguel Couto, em razão de uma fratura na mão. Fiquei maravilhada com o hospital: o atendimento de emergência, pelo que pude avaliar, é sensacional!!! Detalhe: minha nova avó é corretora imobiliária do céu e distribuiu vários lotes pelo hospital, divertindo todo mundo!!!
Tive uma boa razão para estar tanto tempo fora, não é? Vamos partir essa história... (essa foi a parte 1!!!)